Tarso Genro e o Holocausto

À primeira vista, pensei que se tratasse de uma dessas fraudes que circulam pela Internet, quando fanáticos de uma causa desejam atribuir aos fanáticos de outra causa injúrias que não disseram e delitos que não cometeram. Havia mais: o estilo é o homem. A construção da frase, na forma e na gramática, é absolutamente estranha ao estilo e à gramática do ex-governador Tarso Genro.
Conferi no twiter, em #tarsogenro. Lá estava: “A mídia faz de Lula o judeu da década, como os nazis fizeram deles e comunas os alvos do seu ódio à democracia social. É só ler Weimar…”
Continuo não acreditando que o sr. Tarso Genro tenha escrito isso.

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Suponho, até prova em contrário, que se trate de algo também comum na Internet, de correligionários expressarem admiração por líderes políticos, assumindo o papel de dublês para suprir de conteúdos o twiter e o facebook, ou criando identidades “cover”, como Dilma Bolada, para promover apoio a seus líderes.
Fico pasmado que uma pessoa intelectualmente bem dotada e culturalmente bem suprida como o ex-governador possa cometer tantos equívocos em um simples parágrafo. Mas, que o tenha feito. É seu direito à livre expressão do pensamento. Nada que não seja de uma autêntica democracia. Apenas contesto a afirmação.
É indefensável a comparação entre os dissabores de Lula, de prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre corrupção em negócios públicos, durante a sua Presidência e a de sua sucessora, e o Holocausto, o extermínio em massa de judeus, planejado pelos nazistas, praticado sob nenhuma acusação, nenhum inquérito, nenhum processo, nenhum direito de defesa, nenhum julgamento por um juiz regular – apenas porque eram judeus. Lula não foi chamado à Polícia Federal por ser nordestino, ou católico romano, ou ter origem pobre. A ele é assegurado total e irrestrito direito de defesa, é assistido por advogados entre os mais bem pagos do país e não está sendo julgado, e nem o será se os indícios mostrarem, sem qualquer dúvida, que teve seu nome envolvido por quem lhe traiu a confiança. Esta, pelo menos, parece ser a linha da sua defesa.
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Os nazistas não investigavam: simplesmente prendiam e matavam os judeus por serem judeus. Nos autos do Tribunal de Nuremberg (Nazi Conspiration and Aggression, Volume V, páginas 696 a 699) há o depoimento de um engenheiro alemão, Hermann Graebe, relatando o massacre de cinco mil judeus, perpetrado pelos homens da SS, para “limpar” Dubnov, uma cidade ucraniana.
Graebe era engenheiro de profissão e gerenciava uma firma alemã de construções na Ucrânia. Em 5 de outubro de 1942, ele e seu capataz estavam em Dubnow e testemunharam a execução de vítimas. Eram “homens mulheres e crianças de todas as idades” (palavras textuais de Graebe) que desciam dos caminhões que as traziam diretamente para as valas onde seriam fuziladas e enterradas. Forçados a tirar toda a roupa sob a vigilância de um homem da SS, empunhando um açoite, eram obrigados a separar peça por peça em montes separados – sapatos, calças, casacos, vestidos
“Sem gritar ou chorar”, é Graebe quem conta, “despiam-se todos, reuniam-se em grupos de família, beijavam-se uns aos outros, despediam-se e aguardavam o sinal de outro homem da SS, também empunhando um açoite. Durante os 15 minutos que permaneci nas proximidades não os ouvi se queixando ou pedindo misericórdia.
“Uma velha senhora, de cabelos brancos como a neve, segurava uma bebê de um ano e lhe cantava e lhe fazia cócegas. A criança se divertia, deliciada. Os pais olhavam-na com lágrimas nos olhos. O pai segurava a mão de um menino de 10 anos e lhe falava carinhosamente. O menino esforçava-se para não chorar. O pai apontou para o céu e afagou-lhe a cabeça, parecendo explicar-lhe alguma coisa. (…) Olhei para o homem que atirava. Era também da SS. Sentando na beira da vala, balançava as pernas. Tinha um fuzil metralhadora no colo e fumava um cigarro. ”
Não sei o que dizer a quem compara duas situações tão diferentes. Deixo que a sua consciência encontre a verdadeira resposta.
Holocausto27enero

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