A República do Pampa

Na falta de melhor assunto, naqueles domingos chuvosos em que a gente não encontra nada para pensar ou fazer, alguém traz de volta, com jeito de novo, o velho delírio da República do Pampa. Seria um novo país, formado pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Os “gabriéis” da nova “anunciação” não esclarecem se proclamarão a dita República na marra, se os catarinenses e paranaenses não concordarem. Se na falta de arcabuzes, o novo exército será equipado com bodoques, naturalmente depois de longo e construtivo debate se é bodoque, funda, atiradeira ou estilingue, isso depois de decidir qual o nome politicamente correto.

Por enquanto, tudo se resume a excentricidade sem valor prático. Há quem fique indignado com ela, mas é exagero. Nem loucura é. Apenas ilusão e ignorância que resultam do ensino deficiente, raiz dos grandes problemas deste país.

A unidade territorial é cláusula pétrea da Constituição. Sequer pode ser proposta ao Congresso. Qualquer movimento concreto nesse sentido é motivo de intervenção federal. E como, também legalmente, plebiscito só podem ser feitos por decisão da Justiça Eleitoral, com toda a certeza um belo churrasco regado a cerveja e vinho, mais alguns foguetes, deve coroar o plebiscito que os pampo-republicanos andam convocando. Ademais, a Revolução Farroupilha foi um movimento republicano e federalista, não propriamente separatista. Os novos republicanos parecem não saber disso.

Apenas a ressalva: o Rio Grande do Sul não tem o monopólio do besteirol. Na Inglaterra, um sem-casa estabeleceu a Sealand –Terra do Mar – em uma pequena base abandonada pela marinha. Todo o território é uma casa de quatro quartos, mas ele emitiu selos e moedas. O país só tem dois habitantes, o sem-casa e a mulher. Quando brigam, os dois acusam-se mutuamente de separatismo.

Em livro de 1992 (Notas curiosas da espécie humana, Editora AGE) inseri nota a respeito dessas nações imaginárias. Há mais de 100 “presidentes” e “imperadores” reivindicando reconhecimento na ONU. Na Áustrália, furioso contra o imposto de renda, um fazendeiro criou o principado de Hutt River. Foi multado por sonegação. Na Áustria, um anarquista proclamou a República do Planeta Mosquito em um balão, suspenso a três metros de altura, no parque Pratter de Viena. Alegou que o ar não pertence a ninguém, logo não estava em território austríaco. A Polícia invadiu a república e o prendeu por perturbação da ordem.

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