A isca no anzol

A sessão da Comissão Especial da Câmara Federal, que aprovou o relatório, recomendando o impeachment da Presidente da República, não foi um espetáculo dignificante.

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Tanta vulgaridade, tanta demagogia de parte a parte fazem pensar: se os militantes da política brasileira fossem postos em fila, confrontados uns diante dos outros, os “a favor” de um lado, os “contra” do outro, ou vice-versa, os “da esquerda”, os “da direita” ou de que diabo fossem, todos seriam a imagem invertida, uns dos outros, como se estivessem diante de um espelho

Na democracia, cabe tudo. O preocupante, porém, o que causa indignação é que ninguém se pergunta o que é certo e o que é errado, o que se faz ou o que não se faz em matéria de decência e de moralidade. Todos ficam bailando em torno do que é legal ou ilegal, servindo-se da lei apenas para seus propósitos, como se a Lei fosse um deus pagão, devorador de consciências, a quem a hipocrisia sacrifica a virgem chamada verdade.

Enquanto isso, o país se retorce em uma crise da qual não se vê saída. A Presidente Dilma Rousseff, ontem, fez um pronunciamento patético: se sobreviver ao impeachment, vai propor um pacto nacional. Falta a este pronunciamento a confiança que se exige de qualquer promessa. A arrogância tem sido a marca registrada do PT em qualquer parcela de poder que lhe foi dada a exercer, desde a simples presença em um conselho comunitário à Presidência da República, passando por invasões de terras, turbulências urbanas, liderança de entidades de classe, o que for.

Enfim, a proposta não consegue ultrapassar o limite das palavras. Se palavras decidissem qualquer coisa, a esquerda já teria transformado este velho e atormentado mundo no paraíso que a Bíblia diz ter existido e que todos perdemos por rigor excessivo do dono de um pomar. Aquela história de Adão, Eva, cobra, maçã, por demais sabida de todos

Como são as ações que constroem ou destroem, apesar do palavrório, por onde a esquerda passa, ela sai com os bolsos cheios e deixa as finanças vazias.

Perdão, acho que me excedi. Não é a esquerda, são os se dizentes esquerdistas. Não se pode confundir a utopia, o farol que ilumina o caminho do ser humano na busca de sua felicidade, com a isca do anzol que patifes consumados lançam para pescar militantes e fortalecer seu projeto de poder.

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