A cartola de Lula

Não vou escrever o nome do ex-presidente Lula pela ortografia etimológica, a que aprendi quando me alfabetizei, para que os maldosos que sempre estão de plantão não me atribuam segundas intenções – Luiz Ignacio. Mas tenho de tomar uma decisão corajosa e enfrentar esta horda maledicente e acrescentar o título de sábio – o Sábio Lula – curvando-me à profundidade da filosofia dita chinesa que ensina: “Verdadeiro sábio é o sábio que sabe que nada sabe”.

O Sábio Lula nos tem dado provas robustas da sua sabedoria. Não só quando admite que nada sabe do mensalão e do petrolão, mas também em outras ocasiões como aquela, da inauguração do parque eólico de Osório, aqui no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 2006: “Eu pensei que vento só servia para empinar pipa, nunca achei que dava para fazer energia com ele”.

Agora, o Sábio Lula nos dá mais uma prova de sua magnifica sapiência. Segundo o jornal “O Estado de São Paulo” (http://bit.ly/1YEdylv), ele quer que a presidente Dilma anuncie, logo nos primeiros dias de janeiro, ”medidas concretas que sinalizem mudanças na política econômica rumo à retomada do desenvolvimento”.

O fraseado é muito bonito e tem semelhança com aquele discurso de mágico que tira coelho de cartola. Só tem uma diferença: na mágica de palco, o coelho já estava dentro da cartola. Na mágica do Governo Dilma, os coelhos foram todos surrupiados, as cartolas estão vazias e não há mágica possível. Como Lula é sábio, ele não sabe disso.

Um dos muitos exemplos foi noticiado pela Folha de São Paulo (http://bit.ly/1OIv0eb). Em 27 de março deste ano, o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy questionou “um ponto da contabilidade que serviu de base para grande parte das políticas desenvolvimentistas do governo Dilma Rousseff” e “levou a um processo de ajuste que envolveu o BC e obrigou quatro bancos estatais (o próprio BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia) a corrigirem informações sobre a contabilidade desde o fim de 2013.”

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O erro, se é que pode ser considerado erro quando se transforma dívida em crédito e se tem em mente as pedaladas do Governo Dilma, fez com que o patrimônio do BNDES, propalado, até o fim da campanha eleitoral de 2014 como sendo de 66 bilhões e 300 milhões de reais, se reduzisse em março de 2015 a 30 bilhões e 700 milhões – menos da metade. Se somarmos os 35 bilhões e 900 milhões falsamente atribuídos à Caixa Econômica Federal, os 8 bilhões e 100 milhões ao Banco do Brasil e os 982 milhões ao Banco da Amazônia, só aí temos o rombo de 80 bilhões e 582 milhões de reais.

Este é apenas um pormenor da imensa fraude, de cuja dimensão ainda não se consegue ter ideia mesmo aproximada. Desde os tempos do Lula e do mago Guido Mantega com sua política desenvolvimentista que afundou o Brasil, o próprio BNDE, banco de investimentos, em vez de investir os lucros, tem contribuído com seus dividendos para tapar buracos do orçamento. Desde 2008, a “contribuição” somou 63 bilhões de reais. Para fechar o rombo de 2015, o BNDES está “antecipando” ao Governo Dilma nada menos que a “insignificância de 4 bilhões e 800 milhões.

Pois aí é que está. Lula não pode exigir esta mágica do Governo Dilma. Ele sabe que nessa cartola só tem é dente de coelho.

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