O Pastelão de Dona Dilma

Pois a senhora Dona Dilma Rousseff, presidente desta agitada República, de repente convoca o adormecido Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido por Conselhão… para quê?

A se julgar pelo astro principal, o ator Wagner Moura, recém nomeado, seu sucesso em “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2” deve ter inspirado a Presidente a produzir o novo filme da série, o “Tropa de Otários”, comédia-pastelão, pois nem ela acredita no Conselhão. Foi a própria dona Dilma quem o desativou, faz ano e meio. Dele já fizeram parte membros relevantes, como Marcelo Odebrecht e José Carlos Bumlai, substituídos porque estão cadeia, fazendo companhia a outros dois notáveis ex-integrantes, José Dirceu e João Vaccari Neto, também alijados por motivos idênticos

Admira é que pessoas respeitáveis se prestem ao papel de coadjuvantes no pastelão de Dona Dilma. Sabem que este governo de surdos ideológicos nada acatará do que propuserem, e nada do que resolverem terá qualquer sentido prático se o Congresso não aprovar. Não serão nada mais do que plateia para ouvir a velha lengalenga da “nova matriz econômica” que arruinou o país e que o ministro Nelson Barbosa vai tentar re-impingir, ao anunciar nova e mirabolante pedalada de 50 bilhões de reais, tungados do BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e também do FGTS. Não bastasse a roubalheira que já arruinou o Postalis, (Previdência dos Correios, o Petrus (Petrobrás), o Funcef (Caixa Econômica Federal) e o Fapes (BNDES).

Pastelão 02Até mesmo a mirabolância dos 50 bilhões para estimular a economia através de empréstimos consignados é jogo de cena. O que Dona Dilma vai propor no seu pastelão é que os empresários e representantes de movimentos sociais aprovem a volta da CPMF, para que ela possa pressionar o Congresso.

Sem a volta da CPMF, Dona Dilma não se mantém na Presidência. Ela não tem como “cortar gastos”, melhor dito, secar as tetas suculentas onde mamam a fartar os “aliados” que a apoiam, mas guardam o impeachment como carta na manga. Basta que ela se atreva.

A volta da Guerra Fria

Seres humanos superlotando barcos frágeis e se afogando nas águas do Mediterrâneo, o cadáver do menininho sírio em uma praia deserta –  são imagens que jamais se apagarão da nossa memória. Nem a interrogação: como isso pode acontecer em uma sociedade que se diz civilizada?

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Multidões invadindo a Europa, com destino certo, aparentemente os países mais prósperos da União Europeia, mas com toda certeza membros da Otan, a organização de defesa do Ocidente, também despertam uma indagação: como, de repente, do nada, surge essa imensa massa de refugiados, marchando organizada, com apoio logístico (transporte, alimentação, repouso) e consegue se deslocar a tão grandes distâncias?

Pois a resposta desta pergunta está sendo procurada pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de alguns países europeus, conforme se pode ler em jornais ingleses. The Sunday Telegraph noticia que teve acesso a documentação identificando operações de influência russa na França, Holanda, Hungria, na Áustria e, principalmente na República Checa, que os próprios russos definem como porta escancarada de acesso aos países da União Europeia.

Por enquanto, são apenas suspeitas que refletem o temor de que a guerra fria esteja de volta.  A fonte que originou a informação a The Sunday Telegraph é ligada ao governo inglês e se referiu aos recentes acontecimentos que agitam a Europa, “com a visível intromissão da Rússia em escala maior do que se supunha antes”.

O Governo inglês está particularmente preocupado com o que considera interferência sem precedentes nos assuntos internos da Grã-Bretanha. No ano passado, durante a campanha para eleger o líder do Partido Trabalhista, o canal de televisão Russia Today, financiado pelo Kremlin, apoiou abertamente a campanha de Jeremy Corbin, com ampla cobertura de seus comícios, mas sem proporcionar tratamento igual a candidatos rivais.

Quando Corbyn se elegeu, em desrespeito sem precedentes às regras da convivência diplomática, o próprio embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko, festejou ostensivamente sua vitória como um “avanço radical”. Corbyn defende as mesmas teses que a esquerda propaga pelo mundo afora e que coincidem sempre com os interesses da Rússia: o desmantelamento da União Europeia e da OTAN, do sistema de defesa antimísseis e por aí afora. Ainda antes, em 2014, Rússia Today apoiou o separatismo no referendo escocês e não aceitou o resultado, fazendo acusações de fraude na apuração dos votos.

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Intromissão tão escancarada nos assuntos internos do pais levou o Governo inglês a expulsar quatro diplomatas da Embaixada Russa em Londres, recusando prorrogar seus vistos. Entre eles, Sergey Nalobin que anteriormente estivera atuando na Venezuela e agora terá funções no Ministério das Relações Exteriores em Moscou.

Por sua vez, os serviços de inteligência norte-americanos, estão investigando a interferência russa em partidos políticos europeus. Há indícios de financiamento clandestino a partidos europeus, até mesmo a grupos de extrema direita, como Jobbik, na Hungria, Chrym Avguê (Aurora Dourada) na Grécia, a Liga do Norte da Itália e a Frente Nacional da França que recebeu empréstimo de 9 milhões de euros de um banco russo em 2014.

A preocupação norte-americana diz respeito ao quanto as ações russas possam desestabilizar a União Europeia, enfraquecer a Otan e, principalmente, bloquear programas de defesa antimísseis dos Estados Unidos, a única contenção ao poderio militar russo. Se isso acontecer, o mundo retorna ao pesadelo da Guerra Freia, do qual acordou com a extinção da União Soviética.

O Uber passado a limpo

Nunca usei o Uber e não tenho ideia se usarei o serviço agora ou mais adiante. Faz anos que ocupo táxis convencionais. Com o correr do tempo acabei me afreguesando a motoristas honestos, prestativos e bem-educados, dos quais fiz uma lista. Também sou cliente do 99 Táxis, e desse atendimento igual não me queixo.

Contudo, se há necessidade de alinhar três adjetivos para definir o que exijo e prefiro ao utilizar o serviço, e se disponho de uma lista de motoristas preferenciais, não preciso acrescentar que utilizar táxis no Brasil é, algumas vezes, uma aventura constrangedora quando não temerária. Então, a alternativa do Uber também é bem-vinda.

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Não que a polêmica seja exclusividade brasileira. Serviços como o do Uber (já há outros similares) estão na ordem do dia pelo mundo afora. Discute-se Uber tanto em Londres com sua exemplar frota de taxistas como em cidades chinesas com seu trânsito arrepiante. A violência contra motoristas e passageiros, esta sim, só explode em países onde a demagogia e a corrupção sequestraram o estado e decretaram que a impunidade é politicamente correta.

Curiosamente, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) promete, até junho, relatório sobre “impactos e desafios produzidos por modelos de negócio baseados em tecnologias que eliminam a intermediação”. Não sei se a notícia, publicada recentemente por alguns jornais, tem fundamento. Não dá para entender por que sobraria tempo e utilidade a uma organização mundial fazer relatórios sobre bate-bocas de taxistas inconformados. Se for sobre as mudanças que a Internet trouxe ao mundo, acho que o relatório já vem com alguns anos de atraso.

Na verdade, o que não consigo entender é a complacência de autoridades brasileiras com a reação selvagem de alguns desordeiros que infestam e desmoralizam o setor, contrastando com furibundas ameaças que fazem ao Uber, de confisco de propriedade privada e de multas estratosféricas sem previsão legal, no que se igualam todos, desordeiros e autoridades.

Vamos pôr os pontos nos “is”: se não tem pontos fixos se não pode apanhar passageiros na rua, o Uber nada tem a ver com táxis. Equipara-se, isso sim, às agências de locação de veículos, que existem em qualquer parte do mundo, Porto Alegre inclusive, com preço ajustado entre as partes, incluindo ou não motorista, conforme a desejo ou necessidade do usuário. Como tal deve ser registrado entre os contribuintes.

A aposta

A notícia de que analistas do RBS (Royal Bank of Scotland) temem nova crise mundial em 2016, acendeu uma polêmica. Andrew Roberts, um dos analistas do RBS, aconselhou seus clientes a se desfazerem de investimentos, renunciando a ganhos de capital para preservar o próprio capital. Quem não gostou da história foi outro economista, Stephen Koukoulas, assessor do primeiro-ministro da Austrália. Acusou o analista do RBS de esperteza:

Diga-se de passagem, a economia da Austrália enfrenta problemas semelhantes ao do Brasil, pois também baseou seu crescimento econômico dos últimos anos nas exportações de ferro, carvão e gás para a China. É quase a metade de tudo o que vende ao exterior.

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O país tem melhor situação que a nossa porque, além de não ser assolado pela gatunagem desenfreada, seus níveis de educação são mais elevados. Alguns maldosos dirão que Koukoulas tomou aulas particulares de economia e finanças com o ex-presidente Lula, cuja proverbial lucidez foi por demais comprovada na famosa “Marolinha” de 2008. O aprendizado inclui superstição (não faz onda pra não acontecer) e difamação:

“Roberts ganhou um monte de cobertura para si e para o seu negócio. Se foi esse o objetivo, obteve grande sucesso”, escreveu em seu blog, como se pode ler em Wealth Manager ( http://bit.ly/1Q0zeAZ)

Koukoulas foi mais adiante: criou uma lista com vários investimentos que considera seguros e desafiou o colega para uma aposta: Roberts escolhe seis dos investimentos; se algum deles não der lucro, ganha 10 mil dólares. Do contrário, ele lhe paga a quantia.

Os investimentos listados incluem títulos das bolsas dos Estados Unidos, Brasil. Japão, China, Reino Unido e Austrália; ferro, cobre e petróleo; e imóveis nos Estados Unidos. Alguns tópicos indicados por Koukoulas já estão dançando na corda bamba, notadamente o petróleo e a economia brasileira.

Ninguém sabe quem vai ganhar a aposta, mas as previsões pessimistas se baseiam na queda acentuada da Bolsa da China nas últimas semanas. As ações tinham aumentado 150% no último ano e houve até quem se endividasse para comprá-las, sonhando em fazer fortuna com rapidez. Quando surgiram os sinais de desaceleração da economia chinesa, as ações despencaram, consumindo a valorização anterior. A isso, soma-se uma bolha idêntica a dos norte-americanos em 2008. Os chineses também inflaram o setor imobiliário.

Há muito anos, no tempo em que Pequim ficava “não-sei-onde”, o teatrólogo brasileiro Pedro Bloch escreveu a peça “Morre um gato na China”, na qual dizia que a humanidade só resolveria seus dilemas existenciais quando se comovesse com a morte até de um gato na China, lá no “outro lado do mundo”. Passado mais de 50 anos, não parece que a humanidade leve muito em conta a morte de gatos ou de seres humanos em qualquer parte do mundo, mas a queda das ações lhe provoca arrepios intensos como se fosse atacada de febre maligna.

O que vai acontecer? Milagres existem, mas o petróleo, particularmente não oferece perspectivas animadoras. A derrubada dos preços, de mais de 100 dólares para 30 dólares o barril, começou quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), por proposta da Arábia Saudita, resolveu baratear os preços para tornar inviável a exploração do xisto betuminoso que começou nos Estados Unidos e hoje também tomou corpo na Inglaterra.

O tiro saiu pela culatra. Não tornou inviável o xisto betuminoso e a desaceleração da economia chinesa e de países dela dependentes (entre eles. o Brasil e a Venezuela), afundou ainda mais os preços. Como não há sinais de recuperação à vista, veio a previsão da queda para 16 dólares o barril. Quem quiser se aprofundar neste item em particular, pode começar pela revista Nikkei Asian (http://s.nikkei.com/1URSQIF)

Já o caso do Brasil, preparem-se para ver mais do mesmo: em entrevista à Folha da de São Paulo, domingo passado (http://bit.ly/1n6gkQ6), o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, repetiu o velho blá-blá-blá tipo “fiofó-da-galinha”: “aumentar a previsibilidade, sobretudo a fiscal., estimular a recuperação do investimento privado, chegar à meta neste final de ano”, naturalmente contando com a volta da CPMF e pedalando fundos do Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES e FGTS.

Que Deus nos acuda.

Às vésperas da tempestade

Vocês vão ler nos jornais e na Internet, daqui a pouco, advertência do RBS (Royal Bank of Scotland – Banco Real da Escócia) aos seus clientes, sobre a forte possibilidade de se reproduzir, nos próximos meses, uma crise idêntica de 2008, com forte baixa das ações da Bolsa e recessão nas principais economias mundiais.

A notícia foi publicada primeira pelo jornal britânico The Telegraph (http://bit.ly/1OmVylG) e a advertência está sendo levada em conta porque naquele mesmo ano de 2008, os profissionais do RBS foram os primeiros a alertar para o caos que se avizinhava. Naquela ocasião, o Governo Lula adotou o equivoco grosseiro da “nova matriz econômica”, em cuja criação estiveram envolvidos o ex-ministro Guido Mantega e também o atual titular do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

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As previsões do RBS não são nada animadoras: as perdas das Bolsas podem chegar a 20 por cento, o preço das comodities deve desabar, inclusive o petróleo, caindo para meros 16 dólares o barril, o que significaria a ruína da economia de vários produtores do Oriente Médio e também da Rússia que já não anda lá muito bem das pernas.

As previsões do RBS se baseiam nas atribulações por que passa atualmente a economia chinesa, cujo “milagre” se baseou na expansão da dívida pública, mas se esgota sempre que se atinge o ponto de saturação e os investimentos começam a fugir do país. Aliás, não é nenhuma novidade no Brasil, onde a “acrobacia” foi tentada por Delfim Neto durante o regime militar e por Guido Mantega, a partir do segundo Governo Lula, com os resultados que todos sabemos..

O mais alarmante é que parece não termos aprendido a lição no Brasil. O Governo se nega a diminuir a gastança com que cavou o fundo buraco em que nos encontramos e que procura tapar com escorchantes aumentos de impostos, o que vai arruinar mais a economia já em frangalhos. Não satisfeito com isso, aceita examinar um plano da indústria automobilística para a “renovação da frota nacional de veículos”, como forma de estimular as vendas. O “plano” consiste em criar um “fundo” (mais dívidas, mais buraco) que compensaria e financiaria a troca de automóveis com mais de 15 anos de fabricação e caminhões com maio de 30 anos, além de reduzir de novo o respectivo IPI.

Há poucos dias o ministro-chefe da Casa Civil afirmou com todas as letras que o Governo não tem coelhos para tirar de cartolas. Mas não falou no plano nem o descartou com firmeza. O fato é que a indústria automobilística goza de muito prestígio, vamos dizer assim, com o ex-presidente Lula, tanto assim que nos últimos tempos ele e seu filho até têm falado disso à Polícia Federal, como personagens que são da Operação Zelotes.